Dilemas de uma Switcher
Neste blog falo sobre BDSM, compartilhando com os leitores um pouco da minha vida dentro de um relacionamento D/s 24/7, onde sou escrava e esposa do Mestre Ferreiro, sendo eu uma Switcher, submissa apenas a ele e com permissão do meu Dono (marido) pra dominar outras pessoas sendo estas homens ou mulheres. Às vezes me meto em cada dilema que nem eu mesma acredito, e, quando vejo, me envolvi em situações que são no mínimo muito engraçadas.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
domingo, 17 de agosto de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
Preconceito: O Meio BDSM e seus "juízes"
Nós switchers há anos somos vítimas de preconceito no meio BDSM. Estou cansada de ouvir por aí a opinião de pessoas que adoram arrotar que tem mil anos de BDSM mas que continuam com a mente limitada e sem o mínimo de conhecimento e que insistem em ser absurdamente mal educadas em dar opinião a quem não pediu. Já ouvi absurdos da boca de dominadores: Eu não entendo como alguém pode dominar e se submeter ao mesmo tempo, isso é inaceitável.
Na boa: Se você não entende é porque não conhece a vida. Já imaginou se um gerente de uma empresa não fosse capaz de assumir uma postura dominante com os demais funcionários e uma postura submissa ao dono da empresa? É uma questão de postura com pessoas diferentes em situações diferentes. Parece óbvio não?!
Sinceramente, eu já ri muito de comentários ridículos como por exemplo: Você é switcher? Adoro dominar Switcher. Diante de mim uma Switcher sempre se curva.
Pelo amor de Deus! Alguém diz para esse idiota que uma Switcher se curvar diante de um dominador não é vantagem nenhuma porque ser Switcher é exatamente ter a capacidade de se curvar e se submeter a alguém tanto quanto dominar outra pessoa? Seria cômico se não fosse trágico um tipo de pensamento como esse. Ao ouvir isso eu sinceramente ri muito na cara do sujeito.
Assim também como já ouvi da boca de um submisso a seguinte pérola: Mas a Senhora tem um Dom? Como posso me submeter a uma Domme que usa coleira e chama um Dominador de Senhor? Eu procuro uma Domme pra me dominar, me submeter, me bater, me humilhar e fazer de escravo. A Senhora é sub como eu, não é Domme não.
Li aquilo e pensei comigo: Além de burro o idiota escreve errado. Aff como esse tipo de gente me dá nojo.
Pela MÃE DO GUARDA, CRIATURAS!!! Já cansei de falar que não sou sub e nem sou Domme. Eu sou Switcher. Quem quiser se submeter a mim que se submeta. Quem provou gostou e pediu mais. Sou uma pessoa extremamente dominante e sádica. O que eu faço com o meu Dono e marido em casa não diz respeito a quem me sirva. As únicas coisas que eu espero ouvir de um submisso meu são: Um sonoro SIM SENHORA, um estridente OBRIGADO SENHORA e muitos gemidos, lágrimas e gritos de dor e agonia ao ser torturado, usado e humilhado por mim. Se for só podo ou se for sub e não for masoquista eu espero extrema servidão, obediência e adoração. Se o cérebro de determinadas pessoas é limitado demais para conseguir assimilar algo tão simples eu só lamento pela incapacidade de vocês.
Vejo também preconceito quanto aos Donos de Switchers que são inteligentes e seguros o bastante do domínio deles sobre elas a ponto de não ter problemas em lidar com o fato delas terem seus próprios canis. O meu Dono então, que não interfere na minha vida de Domme em quase nada, inclusive incentivando e apoiando que eu domine tanto homens quanto mulheres, é alvo de criticas e comentários mais maldosos ainda. Desculpem, queridos, mas a guia da minha coleira é manejada com inteligência e segurança. Ele sabe muito bem que independente de quantos subs eu tenha, diante dele eu sou e sempre serei escrava. Um dominador que tem verdadeiro domínio da sua posse não teme perder o posto. Para mim essa atitude retrógada e pedante de pessoas críticas desse jeito só expressa uma única coisa: INSEGURANÇA.
Mestre Ferreiro,
Nossa jornada tem sido de muitas batalhas e estamos dia após dia vencendo uma a uma com muito amor, cumplicidade, respeito e companheirismo. Tenho certeza que juntos somos capazes de vencer o mundo. Obrigado por ter escolhido me deixar te fazer feliz. Por saber ver a verdade nos meus olhos. Por confiar em mim e por ser um Dono e um marido simplesmente maravilhoso. Te amo em todas as situações, sejam boas ou ruins. Por ti enfrento mil dragões e dilacero todos a dente e garras. Admiro a forma como me conduz. Me encanta a forma como entende e respeita minha natureza libertina e sem pudores. Seu jeito de entender e me ensinar a lidar com meu lado ave de rapina e com instinto caçador. Obrigado por permitir que eu voe alto em noites escuras sabendo que ao amanhecer sempre pousarei nas suas mãos e trarei comigo o fruto de minhas caçadas sangrentas. Me fascina a forma inteligente como usa tudo em mim para te servir, inclusive meu lado dominante e audaz. Somente a ti me curvo. Homens inteligentes são perigosos e fascinantes e por isso acorrentou minha alma à tua. Minha natureza é destemida, tem o risco como vício e o medo como prazer. Homens corajosos me excitam e assistir sua ousadia ao enfrentar as coisas mais simples da vida me faz tremer de tesão. Homens seguros de si me envaidecem e a vaidade é minha força e minha fraqueza, tens minha vida em suas mãos. Tudo que há em ti naturalmente extrai o melhor e o pior de mim e somente o Sr sabe como lidar e direcionar isso. Sou grata.
Te amo cada dia mais, meu marido, e com isso te respeito ainda mais, meu Dono.
Amo te pertencer e te pertenço ainda mais porque te amo.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
O maravilhoso abismo das subs
Escrevi esse texto no wall do Fetlife de uma amiga enquanto fazia uma pausa forçada em mais um dos meus longos e intensos dias de trabalho. Por conta do corre-corre do dia a dia nem atentei o quanto ele estava bonito e profundo. Escrevi sem perceber um raio X da minha própria alma e achei que merecia guardar ele aqui como texto. Está tão emocionante e profundo que eu não quero perder... Então lá vai exatamente como escrevi no wall dela:
Amada, agora você vai descobrir o maravilhoso abismo das subs, onde todas nós um dia temos que escolher se enfrentamos todo o medo que existe dentro de nossas almas e nos atiramos de olhos fechados ou se ficamos na beira com os mesmos medos porém sem conhecer a beleza do salto... Vou te contar um segredo bem baixinho no pé do seu ouvido: Eu pulei de olhos fechados e braços abertos. Senti e sinto todos os medos do mundo, afinal o chão não está mais sob meus pés e onde esse abismo vai dar não está sob o meu domínio, mas foi e é a sensação mais forte e mais maravilhosa de todo o mundo. É diferente para cada uma .
Para mim tem sido cada vez mais emocionante e mais amedrontador, afinal o medo é o combustível que move a intensidade das emoções. Eu não quero nunca mais pôr os pés no chão e nem que a adrenalina desse salto acabe. Quero mergulhar mais e mais a cada dia nesse escuro, amedrontador e infinito abismo onde o chão é o brilho dos olhos de quem eu tenho a honra de chamar de Dono... Seja feliz, pequena, e não tenha medo do medo não. Nesse jogo ele é deliciosamente essencial...
"...Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
Me encantar com um livro
Que fale sobre vaidade
Quando mentir for preciso
Poder falar a verdade..."
(Shimbalaiê - Maria Gadú)
sábado, 26 de abril de 2014
Fugindo do assunto/ Tv Fetiche
Meus querido e amados leitores convido vocês pra conhecer a engraçadíssima TV FETICHE. Uma forma muito descontraída de falar sobre fetichismo em geral. Vale a pena conferir.
https://www.facebook.com/tvfetiche
https://www.facebook.com/tvfetiche
Não sou submissa e não sou Domme. SOU SWITCHER!
Ser switcher não é desculpa pra ser uma sub indisciplinada e desobediente usando o seu lado dominante como justificativa. Ser switcher é ter uma natureza complexa que exige muito autoconhecimento pra que se saiba lidar com as duas pessoas que vivem dentro de você.
Para quem vive submissão de verdade não é nada fácil e bonitinho como se vê nos livros e textos românticos que circulam por aí. Quem vive uma vida, onde é necessário abrir mão de si mesmo todos os dias e se mostrar agradecido por isso é regra básica, sabe muito bem que isso não é um conto de fadas sexual.
Como eu sempre digo, submissão real é com muito esforço e lágrimas. Duvido que essa geração de submissas 50 tons aguente 3 meses de coleira ao lado de um Dominador de verdade que leva o D/s a sério em suas relações.
Eu vivo um relacionamento D/s 24/7, vivendo sob o mesmo teto que meu Dono, e não é nada fácil depois das primeiras duas semanas. Eu só faço o que ele quer, como quer e quando ele quer. Não tenho poder de decidir nem quando eu quero tomar banho ou se lavo primeiro a louça antes de varrer a casa. Se ele resolver mudar tudo me é permitido dizer apenas um sonoro e agradecido “Sim Senhor” com um lindo sorriso no rosto. Parece simples? Para mim não é.
É com muito autocontrole e muito ranger de dentes que eu baixo a cabeça e acato o que me foi ordenado. Não sou hipócrita de fazer parecer que é lindo e simples o tempo todo. Mas a beleza de me submeter e vencer meu impulso de gritar e sair xingando é recompensadora.
Para mim submissão não é obedecer por costume ou incompetência. Submissão pra mim é ter prazer em abrir mão de ser quem se é pra ser uma extensão da vontade do outro. Eu não sou nenhum anjinho de asinhas douradas. Estou mais para o cão de três cabeças, louco e raivoso que guarda o portão do inferno (Cérbero, para os mais íntimos). Porém meu gênio ruim, minha personalidade forte e minha natureza questionadora não são justificativas para os meus erros, são apenas explicações.
Sempre fui Senhora do meu destino. Desde muito nova ganhei na marra o poder de ser livre e viver minha vida do jeito que me desse na telha. Minha mãe diz que fui feita pra viver desgarrada e sem um ninho por não saber abaixar a cabeça. Sempre assumi entre os meus amigos uma posição de liderança e tenho historias engraçadas sobre isso desde o jardim de infância.
Como a maioria das switchers que conheço, o meu lado sub sempre viveu muito bem escondidinho e só aflorou quando me cansei de ter que ser a liderança em tudo em minha vida baunilha. Desvendar essa nova parte de nós mesmas nunca é fácil. Seria muita hipocrisia dizer a vocês que mudar hábitos de uma vida inteira é uma tarefa simples. Que é incrivelmente prazerosa não há dúvidas, mas dá um trabalho do cacete.
Por diversas vezes tentei justificar meus erros usando meu jeito impulsivo. O que eu recebi foi a seguinte resposta: “Não importa se você gosta ou não gosta. Você assumiu um compromisso de viver para me obedecer e para me servir, então faça. Impulsividade se vence com autocontrole, então se esforce.”
Houve um momento em que minha ficha finalmente caiu. Eu não era mais aquela pessoa de antes. Eu era simplesmente o reflexo das vontades do meu Dono. Imediatamente comecei a fazer uma análise de mim mesma e observar onde eu estava errando e percebi que o erro era um só: eu ainda lutava para aquela pessoa de antes sobreviver quando na verdade deveria estar abrindo mão de ser quem sempre fui.
Então cheguei à conclusão de que ser submissa não é lutar contra o outro ou encontrar coerência nas decisões dele e sim lutar contra mim mesma e obedecer. Eu me toquei que não jurei submissão só quando ele fosse justo, ou quando fosse gostoso pra mim, ou quando fosse fácil, ou quando fosse confortável, ou quando fosse me agradar. Jurei submissão vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Diante disso não há razão para tentar encaixar as vontades de um com as do outro e sim aprender a deixar de ter vontades.
Uma switcher que não sabe submeter seus impulsos às suas obrigações jamais saberá se submeter ao seu Dono. Uma switcher que não sabe dominar as duas metades de si mesma jamais conseguirá dominar outra pessoa. Lapidar a sub é fazer brilhar a Domme, mas esse é o assunto do nosso próximo post.
Comentário do Dono: Ser Dono de uma Switcher não é simples. É o tempo todo um desafio. Temos que lembrar sempre à switcher que ali naquele relacionamento ela assume uma posição de submissão. Temos que lembrá-la sempre de que lado do chicote ela fica ali.
Dominar uma switcher é o tempo todo ter que mostrar à minha submissa (pois é isso que ela é para mim) que assim como ela fez por merecer a coleira dela, eu fiz por merecer a minha guia, puxando a coleira dela. Temos que diariamente fazer com que a switcher reconheça em nós a autoridade para mandar nela, para decidir por ela, e isto, pode ter certeza, também não é fácil.
Switchers são um desafio para um Dominador e um Dominador que não tenha realmente capacidade não consegue manter uma switcher sob o domínio dele. Tem que ter equilíbrio, razoabilidade e coerência, pois, a cada vez que o Dominador demonstrar fraqueza ele perde um pouco a switcher, pois diminui o respeito dela por ele. Não se conquista uma switcher pela força. Quem acha que é capaz disto está cometendo um erro grosseiro.
A melhor forma de se manter a disciplina de uma switcher é uma perguntinha simples. Quando a minha menina faz algo que me desagrade (em geral tomar decisões em assuntos nos quais eu não lhe dei esta autonomia) eu simplesmente lhe pergunto: “Como Domme, se um submisso seu faz isto como você se sentiria?” Isto faz caírem por terra praticamente todas as desculpas e justificativas que ela possa ter pensado para me dar.
Mestre Ferreiro
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Primeiros passos são sempre desajeitados
Não encontro palavras para descrever a felicidade que senti ao ser autorizada e estimulada a explorar meu lado dominante. Essa parte da minha natureza era gritante dentro de mim.
A sensação foi a de uma fera aprisionada com fome, enfurecida, sentindo o cheiro de carne fresca do lado de fora, rugindo e observando a porta da jaula ser aberta.
Comecei a estudar práticas que me despertaram interesse, enchi o saco de muita gente perguntando um monte de coisas, assisti vídeos, li o que encontrei sobre e parti em busca de negociações.
Como toda novata saí apressada com mil ideias na cabeça e um bando de ilusões patéticas sobre a realidade do mundo feio, delicioso, hipócrita, prazeroso e sujo do BDSM.
Já tinha algum tempo como sub e sempre tive a péssima mania de avaliar os outros como a mim mesma. Em minha vida baunilha sempre levei as coisas a sério. Minha palavra sempre vale muito pra mim. Sempre fui ética e trouxe isso comigo para o BDSM. Claro que eu quebrei a cara achando que todos seriam assim né?!
Conversei com alguns subs e um deles me pareceu bem interessante, então começamos a negociar. Deixei bem claro para o indivíduo que queria uma negociação séria e que tinha a intenção de tê-lo como sub fixo, se desse tudo certo. Ele achou tudo ótimo, dizia “sim Senhora” pra tudo, as práticas que me interessavam ele curtia todas e não tinha nenhuma como limite. Parecia ter ganho na loteria, só que não.
Eu, muito inexperiente, não sabia como tratar a criatura nesse contexto D/s.
Aff... Foi um desastre. Eu na minha ingênua bondade fui tratar o cara com respeito e dignidade. Ele não demorou em negociar com Deus e o mundo nas minhas costas e pôr anúncio em várias comunidades do Fetlife. Enfim, claro que nunca mais falei com o sujeito.
Conversando com outras pessoas descobri que era super comum isso. Que submissos sérios hoje em dia são raríssimos.
Revi o meu conceito de tratar submisso com dignidade e respeito. Não que não os trate com dignidade e respeito, mas revi a forma de fazer isto.
Também encontrei subs muito legais, só que agora já não tenho mais a pressa de criar vínculos. Descobri que plays avulsas são tudo de bom. Descobri que sou louca por sissys e CDs, e que essas danadinhas não gostam muito de apanhar mas são extremamente servis e dedicadas. Descobri que sou sádica ao extremo e masoquistas nem sempre são assim tão submissos. Descobri que ser Rainha de podo me excita muito e sei que as descobertas serão infinitas.
Minha mais nova paixão agora é shibari e já contactei o meu queridíssimo ex-protetor pra me dar umas boas aulas. Já até andei lendo algumas coisas e assistindo alguns vídeos. “E vamo que vamo” estudar porque o SSC depende de conhecimento.
Ser switcher é ter trabalho dobrado. Tem que aprender a estar dos dois lados nas práticas. O pior desafio é não confundir as bolas e querer ficar dos dois lados do chicote ao mesmo tempo. Só quem é switcher sabe como é complicado segurar a onda na hora de se submeter. Mas esse é o papo do próximo post.
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