Não encontro palavras para descrever a felicidade que senti ao ser autorizada e estimulada a explorar meu lado dominante. Essa parte da minha natureza era gritante dentro de mim.
A sensação foi a de uma fera aprisionada com fome, enfurecida, sentindo o cheiro de carne fresca do lado de fora, rugindo e observando a porta da jaula ser aberta.
Comecei a estudar práticas que me despertaram interesse, enchi o saco de muita gente perguntando um monte de coisas, assisti vídeos, li o que encontrei sobre e parti em busca de negociações.
Como toda novata saí apressada com mil ideias na cabeça e um bando de ilusões patéticas sobre a realidade do mundo feio, delicioso, hipócrita, prazeroso e sujo do BDSM.
Já tinha algum tempo como sub e sempre tive a péssima mania de avaliar os outros como a mim mesma. Em minha vida baunilha sempre levei as coisas a sério. Minha palavra sempre vale muito pra mim. Sempre fui ética e trouxe isso comigo para o BDSM. Claro que eu quebrei a cara achando que todos seriam assim né?!
Conversei com alguns subs e um deles me pareceu bem interessante, então começamos a negociar. Deixei bem claro para o indivíduo que queria uma negociação séria e que tinha a intenção de tê-lo como sub fixo, se desse tudo certo. Ele achou tudo ótimo, dizia “sim Senhora” pra tudo, as práticas que me interessavam ele curtia todas e não tinha nenhuma como limite. Parecia ter ganho na loteria, só que não.
Eu, muito inexperiente, não sabia como tratar a criatura nesse contexto D/s.
Aff... Foi um desastre. Eu na minha ingênua bondade fui tratar o cara com respeito e dignidade. Ele não demorou em negociar com Deus e o mundo nas minhas costas e pôr anúncio em várias comunidades do Fetlife. Enfim, claro que nunca mais falei com o sujeito.
Conversando com outras pessoas descobri que era super comum isso. Que submissos sérios hoje em dia são raríssimos.
Revi o meu conceito de tratar submisso com dignidade e respeito. Não que não os trate com dignidade e respeito, mas revi a forma de fazer isto.
Também encontrei subs muito legais, só que agora já não tenho mais a pressa de criar vínculos. Descobri que plays avulsas são tudo de bom. Descobri que sou louca por sissys e CDs, e que essas danadinhas não gostam muito de apanhar mas são extremamente servis e dedicadas. Descobri que sou sádica ao extremo e masoquistas nem sempre são assim tão submissos. Descobri que ser Rainha de podo me excita muito e sei que as descobertas serão infinitas.
Minha mais nova paixão agora é shibari e já contactei o meu queridíssimo ex-protetor pra me dar umas boas aulas. Já até andei lendo algumas coisas e assistindo alguns vídeos. “E vamo que vamo” estudar porque o SSC depende de conhecimento.
Ser switcher é ter trabalho dobrado. Tem que aprender a estar dos dois lados nas práticas. O pior desafio é não confundir as bolas e querer ficar dos dois lados do chicote ao mesmo tempo. Só quem é switcher sabe como é complicado segurar a onda na hora de se submeter. Mas esse é o papo do próximo post.

É preciso caminhar mesmo a passos tortuosos e vc fez isso e consegui,, Parabéns!!!
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