sábado, 26 de abril de 2014

Não sou submissa e não sou Domme. SOU SWITCHER!




Ser switcher não é desculpa pra ser uma sub indisciplinada e desobediente usando o seu lado dominante como justificativa.  Ser switcher é ter uma natureza complexa que exige muito autoconhecimento pra que se saiba lidar com as duas pessoas que vivem dentro de você.

Para quem vive submissão de verdade não é nada fácil e bonitinho como se vê nos livros e textos românticos que circulam por aí.  Quem vive uma vida, onde é necessário abrir mão de si mesmo todos os dias e se mostrar agradecido por isso é regra básica, sabe muito bem que isso não é um conto de fadas sexual.

Como eu sempre digo, submissão real é com muito esforço e lágrimas.  Duvido que essa geração de submissas 50 tons aguente 3 meses de coleira ao lado de um Dominador de verdade que leva o D/s a sério em suas relações.

Eu vivo um relacionamento D/s 24/7, vivendo sob o mesmo teto que meu Dono, e não é nada fácil depois das primeiras duas semanas.  Eu só faço o que ele quer, como quer e quando ele quer.  Não tenho poder de decidir nem quando eu quero tomar banho ou se lavo primeiro a louça antes de varrer a casa.  Se ele resolver mudar tudo me é permitido dizer apenas um sonoro e agradecido “Sim Senhor” com um lindo sorriso no rosto.  Parece simples?  Para mim não é.

É com muito autocontrole e muito ranger de dentes que eu baixo a cabeça e acato o que me foi ordenado.  Não sou hipócrita de fazer parecer que é lindo e simples o tempo todo.  Mas a beleza de me submeter e vencer meu impulso de gritar e sair xingando é recompensadora.

Para mim submissão não é obedecer por costume ou incompetência.  Submissão pra mim é ter prazer em abrir mão de ser quem se é pra ser uma extensão da vontade do outro.  Eu não sou nenhum anjinho de asinhas douradas.  Estou mais para o cão de três cabeças, louco e raivoso que guarda o portão do inferno (Cérbero, para os mais íntimos).  Porém meu gênio ruim, minha personalidade forte e minha natureza questionadora não são justificativas para os meus erros, são apenas explicações.

Sempre fui Senhora do meu destino.  Desde muito nova ganhei na marra o poder de ser livre e viver minha vida do jeito que me desse na telha. Minha mãe diz que fui feita pra viver desgarrada e sem um ninho por não saber abaixar a cabeça.  Sempre assumi entre os meus amigos uma posição de liderança e tenho historias engraçadas sobre isso desde o jardim de infância.

Como a maioria das switchers que conheço, o meu lado sub sempre viveu muito bem escondidinho e só aflorou quando me cansei de ter que ser a liderança em tudo em minha vida baunilha.  Desvendar essa nova parte de nós mesmas nunca é fácil.  Seria muita hipocrisia dizer a vocês que mudar hábitos de uma vida inteira é uma tarefa simples.  Que é incrivelmente prazerosa não há dúvidas, mas dá um trabalho do cacete.

Por diversas vezes tentei justificar meus erros usando meu jeito impulsivo.  O que eu recebi foi a seguinte resposta: “Não importa se você gosta ou não gosta.  Você assumiu um compromisso de viver para me obedecer e para me servir, então faça. Impulsividade se vence com autocontrole, então se esforce.”

Houve um momento em que minha ficha finalmente caiu.  Eu não era mais aquela pessoa de antes.  Eu era simplesmente o reflexo das vontades do meu Dono.  Imediatamente comecei a fazer uma análise de mim mesma e observar onde eu estava errando e percebi que o erro era um só: eu ainda lutava para aquela pessoa de antes sobreviver quando na verdade deveria estar abrindo mão de ser quem sempre fui.

Então cheguei à conclusão de que ser submissa não é lutar contra o outro ou encontrar coerência nas decisões dele e sim lutar contra mim mesma e obedecer.  Eu me toquei que não jurei submissão só quando ele fosse justo, ou quando fosse gostoso pra mim, ou quando fosse fácil, ou quando fosse confortável, ou quando fosse me agradar.  Jurei submissão vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.  Diante disso não há razão para tentar encaixar as vontades de um com as do outro e sim aprender a deixar de ter vontades.

Uma switcher que não sabe submeter seus impulsos às suas obrigações jamais saberá se submeter ao seu Dono.  Uma switcher que não sabe dominar as duas metades de si mesma jamais conseguirá dominar outra pessoa.  Lapidar a sub é fazer brilhar a Domme, mas esse é o assunto do nosso próximo post.


Comentário do Dono: Ser Dono de uma Switcher não é simples.  É o tempo todo um desafio.  Temos que lembrar sempre à switcher que ali naquele relacionamento ela assume uma posição de submissão.  Temos que lembrá-la sempre de que lado do chicote ela fica ali.

Dominar uma switcher é o tempo todo ter que mostrar à minha submissa (pois é isso que ela é para mim) que assim como ela fez por merecer a coleira dela, eu fiz por merecer a minha guia, puxando a coleira dela.  Temos que diariamente fazer com que a switcher reconheça em nós a autoridade para mandar nela, para decidir por ela, e isto, pode ter certeza, também não é fácil.

Switchers são um desafio para um Dominador e um Dominador que não tenha realmente capacidade não consegue manter uma switcher sob o domínio dele.  Tem que ter equilíbrio, razoabilidade e coerência, pois, a cada vez que o Dominador demonstrar fraqueza ele perde um pouco a switcher, pois diminui o respeito dela por ele.  Não se conquista uma switcher pela força.  Quem acha que é capaz disto está cometendo um erro grosseiro.

A melhor forma de se manter a disciplina de uma switcher é uma perguntinha simples.  Quando a minha menina faz algo que me desagrade (em geral tomar decisões em assuntos nos quais eu não lhe dei esta autonomia) eu simplesmente lhe pergunto: “Como Domme, se um submisso seu faz isto como você se sentiria?”  Isto faz caírem por terra praticamente todas as desculpas e justificativas que ela possa ter pensado para me dar.

Mestre Ferreiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário