sexta-feira, 18 de abril de 2014

O que é ser Switcher e como me descobri ser uma

Ser switcher, na minha humilde opinião, é ter a habilidade de se colocar numa posição dominante tanto quanto numa posição submissa dentro de uma relação D/s.

Entrei para o meio BDSM como submissa.  Aos poucos fui me descobrindo dentro deste vasto universo de possibilidades e novas sensações, fui experimentando coisas novas e me identificando com as duas posições em situações diferentes.

Em pouquíssimo tempo me deparei com o meu primeiro dilema: comecei a me questionar se eu era mesmo uma submissa, pois, diante de determinadas pessoas, em um contexto BDSM, eu não conseguia segurar o meu impulso de assumir uma posição extremamente dominante.  Já diante de outras eu me colocava em uma posição absurdamente submissa.

Então me vieram as seguintes perguntas: Será que eu sou mesmo submissa?  Será que eu sou uma Domme que gosta de brincar de se submeter entre 4 paredes?  Será que eu sou apenas fetichista?

Em pouquíssimo tempo passei a ficar atormentada com essas perguntas rondando meus pensamentos e me gerando um sofrimento absurdo, pois, naquele momento ser uma boa submissa era tudo que me interessava.  Nessa época tinha acabado de tirar a coleira de um antigo relacionamento, que aliás foi a minha primeira, e passei a me questionar se eu não teria feito isso pelo fato de não saber pertencer a ninguém.

Nessa mesma época fui a um encontro de meninas do meio BDSM que acontece aqui no Rio de Janeiro, o famoso Encontro de Espumas e Calcinhas.  O encontro, como sempre, estava super agradável.  As meninas são sempre muito divertidas.  Por alguns momentos a minha silenciosa angustia foi esquecida, porém, não levou muito tempo até uma das iniciantes começar a perguntar sobre submissão e o papo ganhar proporções enormes.   Eu fui obrigada a me confrontar internamente com todas as minhas dúvidas ocultas.

Tentei diversas vezes, discretamente, mudar o assunto, mas em um meio onde a maioria era de submissas e muitas iniciantes nada poderia ser mais interessante do que falar sobre submissão e posse.  Respirei fundo e segui participando do papo como se nada estivesse acontecendo.

Uma dessas subs me observou por um breve instante e no meio do clima de descontração, entre gargalhadas, comenta com o resto da enlouquecida tropa: Mas essa daqui é uma Domme daquelas bem sádicas, só pelo jeito de sorrir e de se portar a gente sente a energia de Domme.

Perdi o rebolado na hora e fiquei totalmente embaraçada no meu turbilhão de pensamentos frenéticos e desconexos.  Como tenho a o péssimo costume de não conseguir manter a minha maldita língua dentro da boca, deixei minhas dúvidas escorrerem como ácido pra fora da minha boca sei lá como, expondo as minhas mais recentes angústias.

Uma das meninas presente era uma sub bastante experiente e já está nessa a muito tempo.  Sem a menor malícia olhou nos meus olhos e disse: Pimenta (era o nick que eu usava na época), você me desculpe mas você não tem nada de sub. A gente sente isso no seu olhar.

Gelei por dentro no mesmo instante e simplesmente sorri por não ter nada racionalmente aceitável pra dizer pois estava em colapso por dentro. Eu ali, calada, com a mente meio fora do ar, ouvia algumas das meninas que já me conheciam sorrindo e concordando que com meu gênio forte, minha postura altiva, meu olhar debochado e a minha falta de papas na língua jamais poderia me submeter.

Todo esse papo me atormentou e graças ao minha grande habilidade de fazer tudo parecer muito engraçado disfarcei bem e o assunto foi interrompido pelo toque do meu celular que eu fui atender na janela do bar.  Quando voltei o assunto já era outro e eu não demorei a deixá-las pois naquele dia tinha uma viagem marcada.

Voltando da minha viagem  conversei sobre o assunto com o meu antigo protetor pela internet e ele como sempre foi muito esclarecedor e me mostrou que ser submissa era sim, algo que fazia parte da minha personalidade e eu fiquei bem mais tranquila pois a opinião dele sempre foi muito coerente e muito sincera, mas as coisas ditas naquela mesa de bar também foram levadas em consideração.

Eu, nessa época, já estava em fase final de negociação com o Mestre Ferreiro e sua sub (na época) que também era switcher.  Numa conversa por telefone com ela essa minha dúvida foi exposta e ela foi muito atenciosa e consegui me acalmar.

Poucos dias correram e eu finalmente entendi que não se tratava de ser sub ou Domme.  Entendi que eu sou uma switcher e não há bicho de sete cabeças nisso.  Negociamos, fizemos sessão e enfim ganhei minha tão sonhada coleira, que na época era pra ser propriedade do Mestre Ferreiro de de sua Switcher.  Ele achou por bem que eu naquele momento aprendesse a ser apenas submissa, pois, antes de querer se switcher deveria aprender como ser uma boa sub.  Que se ele visse em mim habilidade e competência pra me tornar switcher isso seria trabalhado de forma correta no futuro, ato visto por mim como uma prova de muita coerência e bom senso.

Em pouquíssimo tempo minha aptidão pra estar dos dois lado do chicote foi reconhecida e autorizada a ser posta em prática.  Com isso eu passei a me sentir mais completa e encaixada nesse mundo louco.

Ter convivido com a antiga switcher dele foi muito bom pra mim.  O relacionamento com ela infelizmente não deu certo, mas, mesmo sem saber, ela me ensinou muito pois em silêncio eu a observava e pude entender muitas coisas sobre a complexidade de assumir esse papel tão difícil, de ser uma figura com uma dualidade tão conflitante dentro de si mesmo.

Eu venho a cada dia observando as pessoas nesse universo louco do BDSM e aprendendo cada dia mais um pouquinho sobre tudo isso.  Sou sincera em dizer que todo isso não faz muito tempo pois não sou nenhum Dino do BDSM.

Admiro e respeito os mais antigos que têm em sua história longos anos de práticas e experiências nesse meio, sem perder o respeito ao próximo e sendo generosos em compartilhar seus conhecimentos com os mais "jovens" que tem sede de aprender e humildade de perguntar, para não sair por aí fazendo besteira e colocando os outros e a si mesmos em risco, em nome de um orgulho bobo e desnecessário.

Bem, esse é apenas o comecinho da história.  Diria assim, um pequeno aquecimento, pois, as partes mais interessantes ainda estão por vir.

Um grande beijo a todos e sejam muito bem vindos ao meu mundinho louco, colorido e caleidoscópico...

Um comentário:

  1. Achei de muito bom gosto a sua narrativa, que descreve o início da sua vida BDSMLÍSTICA,, estou ansiosa para as próximas postagens!!!

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